Deitado sobre tantos machucados que se infiltram à alma, ele olha para os céus quase desacordando nas poças de teu próprio sangue.
Ainda há de vir um suspiro final, pensou. - De ti tanto me orgulharei que ainda creio que virá a eterna glória pai, suspira.
Há uma descida e tanto e mesmo que eu chegue aos pés do monte, ao me verem não terão de mim o que mais procuram, fé!
O vento uiva ao pé de meu ouvido e a fraca luz que meus olhos recebem, mal criam o cenário do qual estou vivenciando, o cheiro forte de sangue que saem de minhas veias e em mim percorre. Gelando minha pele, apenas frio e a dor que me faz tremer.
É o fim? Questiona ele ao seu próprio templo.
E uma voz distante, muito distante...
- Levanta-te a andas Rajib, Ahjab está de pé.
- Levanta-te a andas Rajib, Ahjab está de pé.
No momento em que tento raciocinar se estou ainda presente, sei que estou ouvindo e creio, mas o corpo não se opõe.
- Levanta-te a andas Rajib, Ahjab está de pé.
E assim ele o faz, com todo sacrifício, vai contorcendo seu corpo aos poucos para se por de pé e aceitar aquela voz que o chama. Aceitação sempre foi o mentor de sua vida.
- Sim, eu o ouço e creio, diz Rajib Ahjab que, também passa a repetir.
- Levanta-te a andas Rajib, EU do IE e sou ficará de pé.
Há uma escuridão tremenda sobre o vale de Keiopnus, quando os poucos que ainda lutam, erguem seus olhos ao monte e ali um deles grita:
- LÁ ESTÁ RAJIB AHJAB
O grito foi tão forte que os milhares que já se desprendiam de seus corpos, tremem ao escutar pela segunda vez.
- LÁ ESTÁ RAJIB AHJAB!
E aquele homem a poucos minutos da morte, agora olha de cima do monte, guerra:
- Eu sou o ontem, o hoje e o amanhã, acena com sua espada e a luz que o rodeia, faz gritar.
- Levantem os que ainda possuem o fôlego da vida, pois a única coisa que cairá hoje é nosso inimigo.
O Demônio da Mitologia
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
As Rosas não choram
Estranho este título não é mesmo, mas o mesmo serve para refletir sobre o seguinte assunto:
http://esperanca.com.br/2009/12/16/e-se-a-pessoa-cacto-nao-quiser-mudar/
As pessoas quando não resolvidas, se ferem ao encostar-se no espinho de outros. Na metáfora do texto veremos as pessoas como rosas e os espinhos como sua proteção de algo externo, que possa vir lhe ferir e ou lhe causar transtornos, portanto, vamos julgar os espinhos das pessoas como se fossem seus gostos, suas magoas ou algo relacional, de qualquer tipo, seja por questões religiosas (onde os espinhos também matam, texto), alimentícias, estéticas, etc...
Quando gostamos (sentido de adoração inconsequente, apego, etc...) de alguma coisa e ou temos magoa de outra (sentido emotivo do aprisionamento), nada e absolutamente nada poderá intervir sobre a tua maneira de ser, de pensar, de agir e ou de querer manter este comportamento na questão daquilo que ‘pertence somente a ela’.
Logo, tais espinhos ferem, causam reações agressivas e até fora de controle, embora existam parâmetros e controles dentro de uma sociedade (diferente das leis da natureza).
Portanto, As Rosas não choram, pois não criaram seus espinhos para confrontar a elas mesmas, do contrário, quando juntas, aumentam ainda mais suas defesas.
Assim deveriam ser os nossos espinhos? Mas de que forma poderíamos usa-los para um bem social e não só como auto-defesa aos semelhantes? Ora, afinal de contas não somos plantas nós somos movidos por algo maior que, se não cuidado pode se tornar negativo, destrutivo.
Há várias ferramentas que podemos utilizar para não tornar os nossos espinhos, nossos próprios inimigos em sociedade. Assim como no texto do link acima mencionado. Por fim, as rosas não choram, pois convivem em eterna harmonia e ainda que não consigamos chegar a tal ponto, quem sabe um dia tomando as direções corretas, possamos então transformar estas nossas defesas em algo melhor num conjunto social.
Nesta busca pela transformação entenderemos que nossos espinhos também nos favorecem, assim como:
As Rosas não choram.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Tempo sem intimidade
Tempo sem intimidade,
Viveu por tempos procurando o que poderia ser e quando descobriu que o tempo se esgotou, questionou a si mesmo quem era. Lutas, batalhas e guerras que venceu o denominaram, vitorioso por causas que se quer o poderiam intitular. Afinal de contas, não são os homens quem escreveram tais regras? E viveu por tempos procurando o que poderia ser, quando descobriu que o tempo se esgotou, questionou a si mesmo. Quem eu sou?
Talvez uma nova chance em outra nova era ou outras responsabilidades . No tempo destes homens, perdi a minha identidade e confesso que me emocionei que chorei e também dei gargalhadas, mas fiquei preso neste tempo, onde você quem era o objetivo se fechou e ficou preso nesta eternidade de vontades... Tempo vivido de esgotamento, intimidade perdida para este ‘homem tempo’. E mesmo assim ainda questionou.
- Quem, mas quem eu sou?
Mas se parece como um menino e cresceu sem ter este valor e quando encontrou seu rumo, não era nada, sem Amor. E que amor é este que procura insistentemente seu alvo, quando dentro de ti, deveria predominar sobre todos os feitos, sobre todos os momentos, mas, o fim pode gerar um novo começo, pois o tarde, nunca foi e nunca terá um endereço. Tornou-se homem por sabedoria e no fim de todas as coisas, foi apenas um menino que por timidez não se arriscou, não se livrou e nem se quer tomou-a, ousadia.
Ousadia, ou já dia!!!
Se o tempo não é agora, não pode ser mais amanhã e quando o tarde chegar deixe-o sem endereço, fique perdido, esteja liberto, olhe pra frente e não tenha mais medo. @rajibahjab.
Talvez uma nova chance em outra nova era ou outras responsabilidades . No tempo destes homens, perdi a minha identidade e confesso que me emocionei que chorei e também dei gargalhadas, mas fiquei preso neste tempo, onde você quem era o objetivo se fechou e ficou preso nesta eternidade de vontades... Tempo vivido de esgotamento, intimidade perdida para este ‘homem tempo’. E mesmo assim ainda questionou.
- Quem, mas quem eu sou?
Mas se parece como um menino e cresceu sem ter este valor e quando encontrou seu rumo, não era nada, sem Amor. E que amor é este que procura insistentemente seu alvo, quando dentro de ti, deveria predominar sobre todos os feitos, sobre todos os momentos, mas, o fim pode gerar um novo começo, pois o tarde, nunca foi e nunca terá um endereço. Tornou-se homem por sabedoria e no fim de todas as coisas, foi apenas um menino que por timidez não se arriscou, não se livrou e nem se quer tomou-a, ousadia.
Ousadia, ou já dia!!!
Se o tempo não é agora, não pode ser mais amanhã e quando o tarde chegar deixe-o sem endereço, fique perdido, esteja liberto, olhe pra frente e não tenha mais medo. @rajibahjab.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Mentes Virtualizadas
Mentes Virtualizadas,
Sozinho, por mais um dia... E isso não torna nada diferente, pois anterior a este modo de viver, tudo o que ele tinha era sua mãe. Um rapaz franzino, torto de tão magro, boa aparência e uma boa apresentação nunca foi o seu forte, se quer sabia contar uma piada, no entanto, sim, ele era o motivo das piadas. Nerdênio, era o seu nome, destinado a todo e qualquer tipo de aparelho de alta tecnologia e conectividade programável, seu mundo não beirava outra coisa que não fosse ‘desenvolvimento de linguagem de softwares’. O mais estranho era sua personalidade diante as mulheres, não que ele não gostasse de mulheres, porém, sua completa falta de noção social o afastava de qualquer aproximação com elas e mesmo que fosse da mesma área que ele. Homem, meio menino, bobo ou até mesmo ‘retardado’, como o chamavam, idade já avançada e com responsabilidades de um diretor empresarial, mas bem longe dos direitos trabalhistas de um. Tentando se promover na empresa ele resolve ouvir o conselho de um ‘’amigo’’. – Você precisa de um tempo pra você cara, pra se cuidar, azarar umas gatinhas, mudar esta sua aparência e atitude, ser mais descolado, como pode uma pessoa tão inteligente ser tão horrível assim, você não vai a lugar nenhum aqui dentro desta maneira.
12-10-2013, uma data importante, Nerd usa tal data para retirar seu expansivo e gordo, diferente dele, banco de horas. Hoje onze de novembro, ele olha para trás, se eu não me engano, nunca solicitei férias e ou banco de horas, pensa ele. A mais simples e normal atitude de todo ser humano, é olhar pra si mesmo e colocar um sorriso na cara, diante as datas de férias, feriados e ou licenças trabalhistas...
12-10-2013, ele alugou uma chácara, muitos pensavam que ele convidaria amigos e até mesmo pediria aos mesmos que levassem mulheres, beibdas, ou seja, gerar uma integração social do grupo de trabalho. Mas, o que ele pretendia era algo diferente, alias algo que ele nunca o fizera por si mesmo. Isolar-se de todo tipo de aparelho eletrônico, desde o mais simples relógio até os microcomputadores mais estimados e exibidos por ele mesmo. Nerd se levanta no dia seguinte...
Todo desajeitado prepara o café da manhã e vai em direção à varada. Olha o sol, o vento sobre as arvores, pássaros em voos rasantes próximos à lagoa. Algo realmente lindo e tão natural quanto nossa existência. Sua mente não quer este tipo de ambiente, ele imagina como seria trocar a cor do céu azul ainda amarelado pelos raios nascentes do sol, a grama que por ele deveria ser sintética e ou desenvolvida em um laboratório de sua mente louca, evitando assim a existência normal de bactérias e outros seres. Consumista de tecnologia.
– Criar um cenário virtual, usando a realidade como proximidade de uma arquitetura ilógica, para que pudéssemos habitar como refugio e descanso à nossa mente nos horários vagos de trabalho, 15 minutos seriam o suficiente para aliviarmos a tensão e obrigatoriedades da tarefa diária em nosso dia-a-dia, pensou.
Tais pensamentos aceleram seu coração, um frio grande veio ao estomago e as mãos começaram a suar. Sinais de uma perturbação e ansiedade deturpada do uso de qualquer aparelho programável, estas eram as suas drogas e que naquele momento estavam fora de alcance. O caneco envelhecido de café em suas mãos cai e sua mente altamente capacitada de lógica calcula e assimila o tempo gravitacional do objeto atraído pelo corpo terrestre. O suor toma conta de seu rosto e ao olhar os pássaros, a grama e o lago, o lago... Algo se move como uma nuvem branca no lago...
Ele tenta respirar fundo e cambaleando vai mais próximo ao lago, senta-se a beira do mesmo com a visão ainda difusa. Que fumaça é esta questiona a sim mesmo. E aquilo vai se aproximando cada vez mais, as águas escuras não o deixam ver o que vem na sua direção. Ele se levanta e chega mais próximo, ainda confuso, porém, já estabilizando seu estado de euforia e ansiedade. Pensa, preciso respirar e me desligar, desligar... Desligar não, pois sei que estou distante daquilo que mais amo, porém, não há maquina melhor/maior e mais potente do que o nosso cérebro, ainda!
A mancha na água começa a criar forma, ele não quer acreditar no que esta vendo, parece uma mulher, mas não pode ser. À medida que se aproxima seu coração volta a bater mais forte e mais forte, até que ela se levanta aos seus pés. O susto é tão grande que ele cai e com as mãos tocando a beira do lago ainda lamacento, puxa-se para trás como se ‘’ela’’ fosse um mostro que pulasse vorazmente contra ele.
Ela era esguia, branca de cabelos compridos e olhos negros, nua e diante de seus pés, olhando à de baixo para cima, suas mãos fincam-se ao chão de tanto pavor, os olhos e os cabelos dela eram tão pretos que a luz espelhava as cores do céu. Ela caminha em direção a ele com um sorriso invasoramente perfeito, ele treme tanto que seus olhos lacrimejam, sua voz esta incapacitada de sair, o ranger de seus dentes fica tão alto que parecem o chacoalhar de uma serpente. E Ela continua indo em sua direção...
Ele tenta ficar de pé, mas não tira os olhos do corpo dela. Os pés tão perfeitos que desenho algum de qualquer artista importante poderia reproduzir, as pernas, os joelhos, a cintura, sua genitália, o umbigo, braços, seios arredondados de uma pele tão firme, porém sem marcas de musculatura. Queijo, boca, lábios tão bem alinhados, olhos grandes, silios e sobrancelhas perfeitamente construidos. O... O q... O que vô... Você esta ....tá, tá fazendo?
Ela se aproxima dele, o levanta pelos cabelos, um sorriso brilhante, tão alvo quanto as pedras que cercavam o lago. Ele tenta se segurar nas mãos dela que o retira do chão como se fosse um papel. Puxa-o a sua direção olha bem ao fundo de seus olhos. Ele covardemente não sabe como reagir, o que falar se o domínio de suas cordas vocais se quer vibram no ecoar de sons.
Ele esboça uma reação, tentando levar sua mão ao rosto dela quando, num golpe inesperado ela rasga-lhe a barriga, eu sangue respiga para todos os lados, manchando até mesmo sua face, ele olha para baixo e sente a mão dela em suas entranhas, subindo em direção ao tórax. Ele começa a tremer, tosse, engasgo e sangue sai de sua boca, esta em choque. Ela segura seu coração, como se fosse arrancá-lo do peito, até que ele segura o braço dela instintivamente, impedindo-a de tomar-lhe a vida que começa a esvair através do abdômen. Olha para o céu, o mesmo sangue que escorre pela boca, enche-lhe os olhos e o céu se torna vermelho, cada vez mais escuro. Ele tenta ou imagina que possa gritar, para que alguém o salve, o ouça e a agonia aumenta. A dor é tão grande que seu corpo apenas treme por inteiro, o sangue perdido o deixa cada vez mais fraco. Ele não sabe por que tudo isto está ocorrendo e que ódio emanado por ela é este que, tenta tirar sua pacata e miserável vida de Nerd?
À medida que o tempo passa, o frio aumenta e a vida vai, ela vai esmagar seu coração e se isto ocorrer, sua mente não receberá mais o combustível necessário de sangue e oxigênio necessários, logo, passará a delirar, se houver tempo antes que o mesmo desligue.
-Desligue... desligue, é o pensamento que lhe vem a cabeça.
Nada disso é real, lembro-me em iniciar um ataque de pânico, ansiedade e rejeição ao estado que estava. Devido ao meio natural, longe daquele cotidiano de desenvolvimento e softwares, criei um, usando minha única maquina presente, o cérebro, um ambiente inóspito, holográfico, surreal, pois não suportei a ideia de estar longe de domínios linguísticos e equiparados a uma realidade virtualizada. Deixou-se então que o coração fosse arrancado e num ultimo suspiro/sonho acordado, restartou sua mente.
- Nada do que vivemos pode ser tão real do que aquilo que criamos para nós mesmos, distante de ‘tudo’, é que podemos nos conscientizar das maliguinidades que impomos a simplicidade natural de nossas vidas. Estamos presentes para viver e não criar uma vida ilúdica e virtualizada, impostas por caráter de escravidão. Podemos gostar nossos compromissos e ‘responsabilidades adquiridas’, porém, nossas criações sociais não podem nos tirar o que há de melhor em nós mesmos, viver, viver e sentir...
Vivo, eu... Eu estou VIVO.
Sozinho, por mais um dia... E isso não torna nada diferente, pois anterior a este modo de viver, tudo o que ele tinha era sua mãe. Um rapaz franzino, torto de tão magro, boa aparência e uma boa apresentação nunca foi o seu forte, se quer sabia contar uma piada, no entanto, sim, ele era o motivo das piadas. Nerdênio, era o seu nome, destinado a todo e qualquer tipo de aparelho de alta tecnologia e conectividade programável, seu mundo não beirava outra coisa que não fosse ‘desenvolvimento de linguagem de softwares’. O mais estranho era sua personalidade diante as mulheres, não que ele não gostasse de mulheres, porém, sua completa falta de noção social o afastava de qualquer aproximação com elas e mesmo que fosse da mesma área que ele. Homem, meio menino, bobo ou até mesmo ‘retardado’, como o chamavam, idade já avançada e com responsabilidades de um diretor empresarial, mas bem longe dos direitos trabalhistas de um. Tentando se promover na empresa ele resolve ouvir o conselho de um ‘’amigo’’. – Você precisa de um tempo pra você cara, pra se cuidar, azarar umas gatinhas, mudar esta sua aparência e atitude, ser mais descolado, como pode uma pessoa tão inteligente ser tão horrível assim, você não vai a lugar nenhum aqui dentro desta maneira.
12-10-2013, uma data importante, Nerd usa tal data para retirar seu expansivo e gordo, diferente dele, banco de horas. Hoje onze de novembro, ele olha para trás, se eu não me engano, nunca solicitei férias e ou banco de horas, pensa ele. A mais simples e normal atitude de todo ser humano, é olhar pra si mesmo e colocar um sorriso na cara, diante as datas de férias, feriados e ou licenças trabalhistas...
12-10-2013, ele alugou uma chácara, muitos pensavam que ele convidaria amigos e até mesmo pediria aos mesmos que levassem mulheres, beibdas, ou seja, gerar uma integração social do grupo de trabalho. Mas, o que ele pretendia era algo diferente, alias algo que ele nunca o fizera por si mesmo. Isolar-se de todo tipo de aparelho eletrônico, desde o mais simples relógio até os microcomputadores mais estimados e exibidos por ele mesmo. Nerd se levanta no dia seguinte...
Todo desajeitado prepara o café da manhã e vai em direção à varada. Olha o sol, o vento sobre as arvores, pássaros em voos rasantes próximos à lagoa. Algo realmente lindo e tão natural quanto nossa existência. Sua mente não quer este tipo de ambiente, ele imagina como seria trocar a cor do céu azul ainda amarelado pelos raios nascentes do sol, a grama que por ele deveria ser sintética e ou desenvolvida em um laboratório de sua mente louca, evitando assim a existência normal de bactérias e outros seres. Consumista de tecnologia.
– Criar um cenário virtual, usando a realidade como proximidade de uma arquitetura ilógica, para que pudéssemos habitar como refugio e descanso à nossa mente nos horários vagos de trabalho, 15 minutos seriam o suficiente para aliviarmos a tensão e obrigatoriedades da tarefa diária em nosso dia-a-dia, pensou.
Tais pensamentos aceleram seu coração, um frio grande veio ao estomago e as mãos começaram a suar. Sinais de uma perturbação e ansiedade deturpada do uso de qualquer aparelho programável, estas eram as suas drogas e que naquele momento estavam fora de alcance. O caneco envelhecido de café em suas mãos cai e sua mente altamente capacitada de lógica calcula e assimila o tempo gravitacional do objeto atraído pelo corpo terrestre. O suor toma conta de seu rosto e ao olhar os pássaros, a grama e o lago, o lago... Algo se move como uma nuvem branca no lago...
Ele tenta respirar fundo e cambaleando vai mais próximo ao lago, senta-se a beira do mesmo com a visão ainda difusa. Que fumaça é esta questiona a sim mesmo. E aquilo vai se aproximando cada vez mais, as águas escuras não o deixam ver o que vem na sua direção. Ele se levanta e chega mais próximo, ainda confuso, porém, já estabilizando seu estado de euforia e ansiedade. Pensa, preciso respirar e me desligar, desligar... Desligar não, pois sei que estou distante daquilo que mais amo, porém, não há maquina melhor/maior e mais potente do que o nosso cérebro, ainda!
A mancha na água começa a criar forma, ele não quer acreditar no que esta vendo, parece uma mulher, mas não pode ser. À medida que se aproxima seu coração volta a bater mais forte e mais forte, até que ela se levanta aos seus pés. O susto é tão grande que ele cai e com as mãos tocando a beira do lago ainda lamacento, puxa-se para trás como se ‘’ela’’ fosse um mostro que pulasse vorazmente contra ele.
Ela era esguia, branca de cabelos compridos e olhos negros, nua e diante de seus pés, olhando à de baixo para cima, suas mãos fincam-se ao chão de tanto pavor, os olhos e os cabelos dela eram tão pretos que a luz espelhava as cores do céu. Ela caminha em direção a ele com um sorriso invasoramente perfeito, ele treme tanto que seus olhos lacrimejam, sua voz esta incapacitada de sair, o ranger de seus dentes fica tão alto que parecem o chacoalhar de uma serpente. E Ela continua indo em sua direção...
Ele tenta ficar de pé, mas não tira os olhos do corpo dela. Os pés tão perfeitos que desenho algum de qualquer artista importante poderia reproduzir, as pernas, os joelhos, a cintura, sua genitália, o umbigo, braços, seios arredondados de uma pele tão firme, porém sem marcas de musculatura. Queijo, boca, lábios tão bem alinhados, olhos grandes, silios e sobrancelhas perfeitamente construidos. O... O q... O que vô... Você esta ....tá, tá fazendo?
Ela se aproxima dele, o levanta pelos cabelos, um sorriso brilhante, tão alvo quanto as pedras que cercavam o lago. Ele tenta se segurar nas mãos dela que o retira do chão como se fosse um papel. Puxa-o a sua direção olha bem ao fundo de seus olhos. Ele covardemente não sabe como reagir, o que falar se o domínio de suas cordas vocais se quer vibram no ecoar de sons.
Ele esboça uma reação, tentando levar sua mão ao rosto dela quando, num golpe inesperado ela rasga-lhe a barriga, eu sangue respiga para todos os lados, manchando até mesmo sua face, ele olha para baixo e sente a mão dela em suas entranhas, subindo em direção ao tórax. Ele começa a tremer, tosse, engasgo e sangue sai de sua boca, esta em choque. Ela segura seu coração, como se fosse arrancá-lo do peito, até que ele segura o braço dela instintivamente, impedindo-a de tomar-lhe a vida que começa a esvair através do abdômen. Olha para o céu, o mesmo sangue que escorre pela boca, enche-lhe os olhos e o céu se torna vermelho, cada vez mais escuro. Ele tenta ou imagina que possa gritar, para que alguém o salve, o ouça e a agonia aumenta. A dor é tão grande que seu corpo apenas treme por inteiro, o sangue perdido o deixa cada vez mais fraco. Ele não sabe por que tudo isto está ocorrendo e que ódio emanado por ela é este que, tenta tirar sua pacata e miserável vida de Nerd?
À medida que o tempo passa, o frio aumenta e a vida vai, ela vai esmagar seu coração e se isto ocorrer, sua mente não receberá mais o combustível necessário de sangue e oxigênio necessários, logo, passará a delirar, se houver tempo antes que o mesmo desligue.
-Desligue... desligue, é o pensamento que lhe vem a cabeça.
Nada disso é real, lembro-me em iniciar um ataque de pânico, ansiedade e rejeição ao estado que estava. Devido ao meio natural, longe daquele cotidiano de desenvolvimento e softwares, criei um, usando minha única maquina presente, o cérebro, um ambiente inóspito, holográfico, surreal, pois não suportei a ideia de estar longe de domínios linguísticos e equiparados a uma realidade virtualizada. Deixou-se então que o coração fosse arrancado e num ultimo suspiro/sonho acordado, restartou sua mente.
- Nada do que vivemos pode ser tão real do que aquilo que criamos para nós mesmos, distante de ‘tudo’, é que podemos nos conscientizar das maliguinidades que impomos a simplicidade natural de nossas vidas. Estamos presentes para viver e não criar uma vida ilúdica e virtualizada, impostas por caráter de escravidão. Podemos gostar nossos compromissos e ‘responsabilidades adquiridas’, porém, nossas criações sociais não podem nos tirar o que há de melhor em nós mesmos, viver, viver e sentir...
Vivo, eu... Eu estou VIVO.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
O SEXTO CAOS
O SEXTO CAOS, - depois de Adão
(retroativa)
Por muitas vezes controlo o que no mundo chamam de ‘demônio’ interior, mas me pergunto: O que faria eu, se não o controlasse?
Seria eu mais um, como tantos ‘porcos correndo para o abismo’?
Milhões de pessoas espalhadas numa contaminação sem freio ao mundo em que vivemos e, o futuro deles, dado como certo. Fim!
Desde quando me conheço, pesquisador, doutor, leitor e aprendiz, não vejo o fim em nada, ainda ontem o seu bisavô assistia ‘startrek’ e repetia,
Isto é besteira, vai acabar antes’. E hoje, eu vejo muitos dizendo o mesmo e por que?
‘O passado de um homem, nem sempre o deixa seguir em frente’
...É assim que somos e se sim, até quando?
Hoje bandeiras se levantam, para manifestar o desejo de viver bem e em ‘comunidade’, sem o preconceito de décadas atrás.
Mas logo vira um, e este diz:
‘_Assim não está certo’
‘_é o fim do mundo’
’_ele esta vindo’
‘_já estava escrito’
‘e a base da família?’
E esquecem de ver que, no passado não distante, mulheres conseguiram ser vistas como cidadãs.
Não estou eu, defendendo ‘grupos’, mas solicitando que olhemos para frente, o fim é certo, assim como uma estrela nasce e a mesma morre,
Assim como um grão brota e o mesmo falece. Toda vida tem um fim, por fim, faremos da nossa, a continuidade para outros (as) que estão por vir.
Derrube o ‘falso profeta’ que mora em você, expurgue as raízes de um passado duvidoso que marcou o nosso DNA.
‘Aquele que tem olhos para o mundo, ao mundo pertencerá’
Chegou a hora ‘diferente’ e continuarmos enfrente, quebrar as raízes e deixarmos os pés livres para voar.
‘Não me importo com aquilo que você é, mas com aquilo que há em você’
Eu me sinto indignado, ao abrir os olhos, mas ficaria triste se olhos não tivesse, para enxergar o seu mundo, tenho vergonha de ter nascido entre vocês e ao mesmo tempo, orgulho de ver que muitos não se fazem ‘presente’ e buscam em diversas ‘coisas’ provar o quanto é bom ser humano.
[...]Amanhã seremos mais do que nós mesmos, seremos mais do que nossa própria historia e então, seremos tudo o que ‘pensamos’ ser.
E nos poupar dos sonhos que temos, é desconsiderar a chance que temos de mudar, em um novo começo.
Aquele homem que errou no passado, certamente não errará mais, pois do homem que conhecemos um dia, ficou a LENDA.
== O INICIO ===
Outro dia que se passa e tão rápido que não percebo o quanto vou me tornando velho...
- Bom dia! Entre e fique à-vontade.
'Como eu posso ficar à-vontade com alguém que cobra algo para me escutar?'
- Esta tudo bem?
_ Sim, pelo menos não matei ninguém. 'ainda'
- E isso não é importante?
'Veja por si só que mesmo no instinto reprimido há sociedade também nos impõe um limite de pra fazer aquilo que devo fazer. Maldita sociedade'
- Vamos, deite-se quero saber como foi sua semana.
'E lá vamos nós a entrar num transe de debate pessoal, onde eu não sei quem sou e este muito menos sabe aonde me levar'
- Tudo bem doutor, por onde quer que eu comece?
- Que tal pelos momentos de solidão? - Tudo bem, se assim deseja.
...Entrei em meu quarto e fechei a porta, sem janelas, sem frestas de luz, tão escuro que apenas o vermelho de minha corrente sanguínea brilha em meus olhos, criando a sensação de vultos em minha mente. Fui deitar outra vez, após mais um dia estressante, não pelo lugar onde eu moro, não pelo lugar onde trabalho e os poucos amigos que me cercam, mas, pelas condições em que muitos acham que realmente os cabem. Por todos os dias eu retorno ao mesmo lugar, é como dormir nas asas de um demônio, porém, ao invés de estar ao lado dele, eu acabo sendo o mesmo.
- Me diz. Como assim acaba sendo ele mesmo?
Acabo entorpecido até chegar o sono e neste sono o pesadelo é quem me faz bem, não vejo a luz como ela é e não durmo como os outros...
Transportado. Sim, é assim que me sinto, e mesmo que outros iguais a mim tentam me destruir, eu sou mais forte e acabo os derrotando.
- Esta tentando dizer que mesmo sendo demoníaco, há outros e estes são inferiores a você?
E ele ignora a interrupção.
No quarto, quando entro por cinco minutos sinto certo medo, o gelo toca o alto de minha cabeça e logo desce até a face e quando chega aos meus pensamentos, é como se eu o tivesse deixado entrar, logo, não sinto mais o mesmo e me acalma o que para muitos poderia ser aterrorizante.
Tenho escutado mais o Senhor, mesmo assim a agonia e desejo de destruição ainda estão aqui, dentro de meu ser, algo como quem diz: 'Tive 5 minutos'. Espontaneamente tenho dormido com o mal, e o mau comigo está.
- Não acha um exagero dizer que o mal está contigo? Não percebe que ainda apouco disse que tem me dado ouvidos e evitado o transtorno de seus pesadelos a outros?
_Sim.
E continua.
...Então eu caminho na escuridão, meu quarto não contêm mais que dez metros, mas ao fechar aquela porta, eu caminho como se estivera em uma estrada longa. Não é o remédio quem me segura, não há religião humana em que me sustento e poucas de suas palavras ainda penetram as muralhas de minha mente, sim, desta forma, e por medo, conseqüências, covardia, eu não sei bem o quê. Controlo! Controlo o ódio que em pouco tempo consome a criatura que sou e me transforma, porém, tenho medo deste controle absolutista se perder e passar ao reverso deste sentimento. Antes, ainda na rua, no trajeto de casa, sinto que a vida dos outros são como um sofrimento, pedindo para ser calado.
_ Mas, neste trajeto não vê as pessoas sorrindo, muitas até dando gargalhadas?
_Também, só que acho que eles se iludem naquilo que vivem e que o melhor para eles seria o fim.
- Mas o que é o fim pra você?
_Certamente eu não sei, porque procuro o fim onde ele não existe, pelo menos na limitação de minha inteligência.
_ Onde está esta limitação? - Em minha mente-alma. Eu ligo pra você todos os dias e você só me atende nesta maldita hora marcada e quando venho, questiona apenas, como num julgo de alguém que nunca esta ao seu lado.
‘Filho da puta’
_ Por mais atenção que eu possa lhe dar, permita a si mesmo que, não é 'capaz' e muito menos está acima de tudo.
_ Agora o senhor tocou justamente em um assunto onde eu queria chegar. Do que não sou capaz? Quando nos foi dito que a fé muda tudo! Em partes sinto algo diferente em você, talvez seja o estudo que praticou para tentar entender a raça humana, no entanto, não deixa de ser mais um.
_ Hum - o que? Humano!
_ Por que me procura, não é minha ajuda que abre os teus olhos e o coloca em seu lugar?
_ Acho que o doutor não esta me escutando, de tudo que falei, não escutou nada, peço que permita minha conclusão e então verá o que quero.
Ele se levantou, olhou para o Psicólogo e pediu:
_ É capaz de me colocar em transe, como quem pudesse estar hipnotizado?
_ Sim, mas temo por isto!
_ Esta me dizendo que teme, mas teme ao que?
_ Na maioria das pessoas com esta síndrome, precisamos de um acompanhamento mais refinado.
_ Esta dizendo que há algo errado comigo?
_ Por favor, não se exalte, acalme-se e sente-se para que eu possa explicar um pouco de seu estado.
‘ Lá vêm eles com esta historia de infância refletida num presente inexistente’
_ ok doutor, sou ouvidos.
Seu quadro não é muito diferente de muitos que sofrem pela negatividade passada na infância e falta de atenção, carinho, amor fraternal, enfim. Percebo que não fala muito de você, quando eu peço pra falar de você, quero saber como você é, do que você gosta de fazer nas horas vagas, das coisas que ocorreram e que te marcaram, sejam boas ou más. No entanto, fala apenas do presente, das coisas que vê espelhado na amargura e dor, dor que está apenas dentro de você, homem! Não é o porquê enxerga que vivemos presos a uma ‘espécie’ de sociedade mascarada que vai sair por ai querendo mudar o ‘tempo-espaço’ em que estamos. A maldita felicidade que você cita, eu a conheço e a vivo também. Obvio que por opção as pessoas vivem como se fossem formigas ou gado, por outro lado, muitos mudam sua própria maneira de viver e sim, viver bem e sem descontar em outros os momentos de dificuldade que passamos. E, quem somos nós para relatar erros de algo que vêm muito antes de você e eu?
_ Desculpe interromper. Mas o colega está completamente correto sobre todos os fatos citados até o momento, entretanto, o passado foi modificado e de uma forma estupradora, isto sim ocorreu, fomos violentados e escravizados a viver da hipocrisia social, algo que até então é ilusório e mentiroso.
_ Como assim mentiroso?
_ Mal sabemos de nossa origem, de nosso passado e ou até mesmo para onde vamos ao sair deste local, chamado de vida terrena.
_ Então esta é a sua preocupação! Se vivermos pensando pra onde vamos e lendo escrituras de um passado duvidoso, não chegaremos a lugar algum.
_ Então, tudo o que tem a fazer é cotidianamente estar presente neste lixo?
Meu caro, mais uma vez irei reforçar tudo aquilo que sei, e mesmo assim ainda aprendo todos os dias, cada caso e cada paciente são diferentes, embora alguns métodos possam ser parecidos e diagnosticados para as pessoas, sempre há uma ‘vírgula’ nas personalidades. Assim como é a minha função de ensinar e a sua de compreender, peço que escute com calma e clareza tudo que estamos fazendo neste lugar.
‘É da clareza que sinto tanto medo’. Pensou.
... Desde muito tempo o ser humano tenta lutar contra ele mesmo, cheio de crendices, egoísmo, adequações culturais para uma formação de caráter duvidoso, etc... E de que adianta tanto?
_ Mas doutor, é isso que estou tentando dizer, de que adianta tanto?
_ ok, mas por este motivo vai sair por ai destruindo tudo?
‘Imbecil, não estou destruindo nada, por enquanto’
_ Não, mas há de convir comigo que, estamos todos atolados numa mentira desastrosa, mal elaborada e por mais tardia que seja a abertura de nossas mentes, uma hora acordaremos.
_ Tudo bem, mas hoje isso é importante?
‘E quando será?’
Tudo o que procuramos deve estar aqui e não em outras ‘equações’. Somos donos de nossos destinos terrenos e sinceramente eu, me desculpe caso lhe seja ofensivo, não creio em nada que possa estar além daqui.
‘Então não te acovarde de abrir a porta’
Sei o quanto é difícil para todos nós, acordar cedo, pegar um transito infernal, assistir acidentes, tragédias, consumismo materialista altamente prejudicial a todos nós. Mas posso te aconselhar o seguinte, esqueça. Não é simples ou fácil, mas precisamos deixar de lado certas coisas que vemos.
‘O cego matou o surdo, porque o surdo não gritou e o cego, não o viu’
_ Cara, escuta aqui, você praticamente se colocou no meu lugar, citou tudo aquilo que eu estava aqui para falar, mas não enxergou com a dimensão que eu vejo e com os olhos da minha mente e o pior, eu to pagando por esta merda! Posso falar, ou vou ficar escutando tudo isso?
_ Tudo bem, mas sinto em informar que o seu horário acabou por hoje!
‘Filho da puta’
_ Por gentileza agendar a próxima sessão com minha secretária. – Tá, tudo bem.
‘A maioria aceita as coisas assim, covardemente acomodados, farei o seu papel pacificamente e o nosso tempo juntos, lhe mostrará o caminho’
_ Passar bem. – Sim, óbvio, passar bem também.
De volta pra casa...
Puta que o pariu, eu não olhei a porra do relógio, é horário de pico. Fazer o que?
E ele vai ao ponto de ônibus.
Malditos! Estão todos lotados novamente, isto parece uma gaiola cheia de animais, alguns falando alto como se eu tivesse algum interesse nas porcarias de estórias que contam, uns mal educados que não pedem licença, muitos desconfiados pensando que vou assaltá-los e outros fingindo que estão sorridentes ao voltar para o maldito buraco onde moram. Sou eu o problemático? Vejo poucos murmurando, mas apenas reclamam isoladamente, na maioria, parecem adorar e até mesmo saldar a merda em que vivem. O mundo esta lotado de pessoas ou as pessoas estão aglomeradas de tal maneira que tudo isso fica normal aos olhos deles? Eu trabalho por um misero salário, que no final das contas, pago mais contas do que recebo.
‘Porra’
Ao descer do ônibus ele precisa pegar um trem, mas antes disso, atravessa um pequeno caminho.
... Dia de chuva e agora com a porcaria do tênis molhado. Os dias passam voando nesta cadeia aberta e chamada de vida. Eu preciso sair e a porta esta trancada, qualquer dia aquele maldito abrirá a porta e eu também lhe mostrarei onde realmente estamos.
‘É nele que vejo o dom e nele apontarei o dedo da consciência’
E a droga do dia acabou, existe algo diferente em mim é como se houvesse uma figura presa no espelho, sinto tonturas, dores e às vezes me sinto o que chama de Deus, de nada esta adiantando procurar um médico, e o que mais eu poderia fazer pra descobrir a minha verdadeira identidade? Estou certo de que regressar me traria o verdadeiro eu de volta, mas, fica cada vez mais difícil encontrar alguém no meio de tantas mentiras. Por fim, é melhor ir deitar, o tempo é traiçoeiro e nos engana neste circulo doentio.
Ao entrar no quarto...
‘Às vezes eu queria sumir deste buraco, deste quarto, deste lugar, mas o que me chama aqui é muito mais poderoso que minhas vontades’
Um ruído...
‘Novamente o medo desce entre meus ossos, estalando-os como se mudasse minha forma e na escuridão, não vejo mais o que eu sou’
....
Continua...
Gênesis: ... porque não deverão comer da arvore da vida!
(retroativa)
Por muitas vezes controlo o que no mundo chamam de ‘demônio’ interior, mas me pergunto: O que faria eu, se não o controlasse?
Seria eu mais um, como tantos ‘porcos correndo para o abismo’?
Milhões de pessoas espalhadas numa contaminação sem freio ao mundo em que vivemos e, o futuro deles, dado como certo. Fim!
Desde quando me conheço, pesquisador, doutor, leitor e aprendiz, não vejo o fim em nada, ainda ontem o seu bisavô assistia ‘startrek’ e repetia,
Isto é besteira, vai acabar antes’. E hoje, eu vejo muitos dizendo o mesmo e por que?
‘O passado de um homem, nem sempre o deixa seguir em frente’
...É assim que somos e se sim, até quando?
Hoje bandeiras se levantam, para manifestar o desejo de viver bem e em ‘comunidade’, sem o preconceito de décadas atrás.
Mas logo vira um, e este diz:
‘_Assim não está certo’
‘_é o fim do mundo’
’_ele esta vindo’
‘_já estava escrito’
‘e a base da família?’
E esquecem de ver que, no passado não distante, mulheres conseguiram ser vistas como cidadãs.
Não estou eu, defendendo ‘grupos’, mas solicitando que olhemos para frente, o fim é certo, assim como uma estrela nasce e a mesma morre,
Assim como um grão brota e o mesmo falece. Toda vida tem um fim, por fim, faremos da nossa, a continuidade para outros (as) que estão por vir.
Derrube o ‘falso profeta’ que mora em você, expurgue as raízes de um passado duvidoso que marcou o nosso DNA.
‘Aquele que tem olhos para o mundo, ao mundo pertencerá’
Chegou a hora ‘diferente’ e continuarmos enfrente, quebrar as raízes e deixarmos os pés livres para voar.
‘Não me importo com aquilo que você é, mas com aquilo que há em você’
Eu me sinto indignado, ao abrir os olhos, mas ficaria triste se olhos não tivesse, para enxergar o seu mundo, tenho vergonha de ter nascido entre vocês e ao mesmo tempo, orgulho de ver que muitos não se fazem ‘presente’ e buscam em diversas ‘coisas’ provar o quanto é bom ser humano.
[...]Amanhã seremos mais do que nós mesmos, seremos mais do que nossa própria historia e então, seremos tudo o que ‘pensamos’ ser.
E nos poupar dos sonhos que temos, é desconsiderar a chance que temos de mudar, em um novo começo.
Aquele homem que errou no passado, certamente não errará mais, pois do homem que conhecemos um dia, ficou a LENDA.
== O INICIO ===
Outro dia que se passa e tão rápido que não percebo o quanto vou me tornando velho...
- Bom dia! Entre e fique à-vontade.
'Como eu posso ficar à-vontade com alguém que cobra algo para me escutar?'
- Esta tudo bem?
_ Sim, pelo menos não matei ninguém. 'ainda'
- E isso não é importante?
'Veja por si só que mesmo no instinto reprimido há sociedade também nos impõe um limite de pra fazer aquilo que devo fazer. Maldita sociedade'
- Vamos, deite-se quero saber como foi sua semana.
'E lá vamos nós a entrar num transe de debate pessoal, onde eu não sei quem sou e este muito menos sabe aonde me levar'
- Tudo bem doutor, por onde quer que eu comece?
- Que tal pelos momentos de solidão? - Tudo bem, se assim deseja.
...Entrei em meu quarto e fechei a porta, sem janelas, sem frestas de luz, tão escuro que apenas o vermelho de minha corrente sanguínea brilha em meus olhos, criando a sensação de vultos em minha mente. Fui deitar outra vez, após mais um dia estressante, não pelo lugar onde eu moro, não pelo lugar onde trabalho e os poucos amigos que me cercam, mas, pelas condições em que muitos acham que realmente os cabem. Por todos os dias eu retorno ao mesmo lugar, é como dormir nas asas de um demônio, porém, ao invés de estar ao lado dele, eu acabo sendo o mesmo.
- Me diz. Como assim acaba sendo ele mesmo?
Acabo entorpecido até chegar o sono e neste sono o pesadelo é quem me faz bem, não vejo a luz como ela é e não durmo como os outros...
Transportado. Sim, é assim que me sinto, e mesmo que outros iguais a mim tentam me destruir, eu sou mais forte e acabo os derrotando.
- Esta tentando dizer que mesmo sendo demoníaco, há outros e estes são inferiores a você?
E ele ignora a interrupção.
No quarto, quando entro por cinco minutos sinto certo medo, o gelo toca o alto de minha cabeça e logo desce até a face e quando chega aos meus pensamentos, é como se eu o tivesse deixado entrar, logo, não sinto mais o mesmo e me acalma o que para muitos poderia ser aterrorizante.
Tenho escutado mais o Senhor, mesmo assim a agonia e desejo de destruição ainda estão aqui, dentro de meu ser, algo como quem diz: 'Tive 5 minutos'. Espontaneamente tenho dormido com o mal, e o mau comigo está.
- Não acha um exagero dizer que o mal está contigo? Não percebe que ainda apouco disse que tem me dado ouvidos e evitado o transtorno de seus pesadelos a outros?
_Sim.
E continua.
...Então eu caminho na escuridão, meu quarto não contêm mais que dez metros, mas ao fechar aquela porta, eu caminho como se estivera em uma estrada longa. Não é o remédio quem me segura, não há religião humana em que me sustento e poucas de suas palavras ainda penetram as muralhas de minha mente, sim, desta forma, e por medo, conseqüências, covardia, eu não sei bem o quê. Controlo! Controlo o ódio que em pouco tempo consome a criatura que sou e me transforma, porém, tenho medo deste controle absolutista se perder e passar ao reverso deste sentimento. Antes, ainda na rua, no trajeto de casa, sinto que a vida dos outros são como um sofrimento, pedindo para ser calado.
_ Mas, neste trajeto não vê as pessoas sorrindo, muitas até dando gargalhadas?
_Também, só que acho que eles se iludem naquilo que vivem e que o melhor para eles seria o fim.
- Mas o que é o fim pra você?
_Certamente eu não sei, porque procuro o fim onde ele não existe, pelo menos na limitação de minha inteligência.
_ Onde está esta limitação? - Em minha mente-alma. Eu ligo pra você todos os dias e você só me atende nesta maldita hora marcada e quando venho, questiona apenas, como num julgo de alguém que nunca esta ao seu lado.
‘Filho da puta’
_ Por mais atenção que eu possa lhe dar, permita a si mesmo que, não é 'capaz' e muito menos está acima de tudo.
_ Agora o senhor tocou justamente em um assunto onde eu queria chegar. Do que não sou capaz? Quando nos foi dito que a fé muda tudo! Em partes sinto algo diferente em você, talvez seja o estudo que praticou para tentar entender a raça humana, no entanto, não deixa de ser mais um.
_ Hum - o que? Humano!
_ Por que me procura, não é minha ajuda que abre os teus olhos e o coloca em seu lugar?
_ Acho que o doutor não esta me escutando, de tudo que falei, não escutou nada, peço que permita minha conclusão e então verá o que quero.
Ele se levantou, olhou para o Psicólogo e pediu:
_ É capaz de me colocar em transe, como quem pudesse estar hipnotizado?
_ Sim, mas temo por isto!
_ Esta me dizendo que teme, mas teme ao que?
_ Na maioria das pessoas com esta síndrome, precisamos de um acompanhamento mais refinado.
_ Esta dizendo que há algo errado comigo?
_ Por favor, não se exalte, acalme-se e sente-se para que eu possa explicar um pouco de seu estado.
‘ Lá vêm eles com esta historia de infância refletida num presente inexistente’
_ ok doutor, sou ouvidos.
Seu quadro não é muito diferente de muitos que sofrem pela negatividade passada na infância e falta de atenção, carinho, amor fraternal, enfim. Percebo que não fala muito de você, quando eu peço pra falar de você, quero saber como você é, do que você gosta de fazer nas horas vagas, das coisas que ocorreram e que te marcaram, sejam boas ou más. No entanto, fala apenas do presente, das coisas que vê espelhado na amargura e dor, dor que está apenas dentro de você, homem! Não é o porquê enxerga que vivemos presos a uma ‘espécie’ de sociedade mascarada que vai sair por ai querendo mudar o ‘tempo-espaço’ em que estamos. A maldita felicidade que você cita, eu a conheço e a vivo também. Obvio que por opção as pessoas vivem como se fossem formigas ou gado, por outro lado, muitos mudam sua própria maneira de viver e sim, viver bem e sem descontar em outros os momentos de dificuldade que passamos. E, quem somos nós para relatar erros de algo que vêm muito antes de você e eu?
_ Desculpe interromper. Mas o colega está completamente correto sobre todos os fatos citados até o momento, entretanto, o passado foi modificado e de uma forma estupradora, isto sim ocorreu, fomos violentados e escravizados a viver da hipocrisia social, algo que até então é ilusório e mentiroso.
_ Como assim mentiroso?
_ Mal sabemos de nossa origem, de nosso passado e ou até mesmo para onde vamos ao sair deste local, chamado de vida terrena.
_ Então esta é a sua preocupação! Se vivermos pensando pra onde vamos e lendo escrituras de um passado duvidoso, não chegaremos a lugar algum.
_ Então, tudo o que tem a fazer é cotidianamente estar presente neste lixo?
Meu caro, mais uma vez irei reforçar tudo aquilo que sei, e mesmo assim ainda aprendo todos os dias, cada caso e cada paciente são diferentes, embora alguns métodos possam ser parecidos e diagnosticados para as pessoas, sempre há uma ‘vírgula’ nas personalidades. Assim como é a minha função de ensinar e a sua de compreender, peço que escute com calma e clareza tudo que estamos fazendo neste lugar.
‘É da clareza que sinto tanto medo’. Pensou.
... Desde muito tempo o ser humano tenta lutar contra ele mesmo, cheio de crendices, egoísmo, adequações culturais para uma formação de caráter duvidoso, etc... E de que adianta tanto?
_ Mas doutor, é isso que estou tentando dizer, de que adianta tanto?
_ ok, mas por este motivo vai sair por ai destruindo tudo?
‘Imbecil, não estou destruindo nada, por enquanto’
_ Não, mas há de convir comigo que, estamos todos atolados numa mentira desastrosa, mal elaborada e por mais tardia que seja a abertura de nossas mentes, uma hora acordaremos.
_ Tudo bem, mas hoje isso é importante?
‘E quando será?’
Tudo o que procuramos deve estar aqui e não em outras ‘equações’. Somos donos de nossos destinos terrenos e sinceramente eu, me desculpe caso lhe seja ofensivo, não creio em nada que possa estar além daqui.
‘Então não te acovarde de abrir a porta’
Sei o quanto é difícil para todos nós, acordar cedo, pegar um transito infernal, assistir acidentes, tragédias, consumismo materialista altamente prejudicial a todos nós. Mas posso te aconselhar o seguinte, esqueça. Não é simples ou fácil, mas precisamos deixar de lado certas coisas que vemos.
‘O cego matou o surdo, porque o surdo não gritou e o cego, não o viu’
_ Cara, escuta aqui, você praticamente se colocou no meu lugar, citou tudo aquilo que eu estava aqui para falar, mas não enxergou com a dimensão que eu vejo e com os olhos da minha mente e o pior, eu to pagando por esta merda! Posso falar, ou vou ficar escutando tudo isso?
_ Tudo bem, mas sinto em informar que o seu horário acabou por hoje!
‘Filho da puta’
_ Por gentileza agendar a próxima sessão com minha secretária. – Tá, tudo bem.
‘A maioria aceita as coisas assim, covardemente acomodados, farei o seu papel pacificamente e o nosso tempo juntos, lhe mostrará o caminho’
_ Passar bem. – Sim, óbvio, passar bem também.
De volta pra casa...
Puta que o pariu, eu não olhei a porra do relógio, é horário de pico. Fazer o que?
E ele vai ao ponto de ônibus.
Malditos! Estão todos lotados novamente, isto parece uma gaiola cheia de animais, alguns falando alto como se eu tivesse algum interesse nas porcarias de estórias que contam, uns mal educados que não pedem licença, muitos desconfiados pensando que vou assaltá-los e outros fingindo que estão sorridentes ao voltar para o maldito buraco onde moram. Sou eu o problemático? Vejo poucos murmurando, mas apenas reclamam isoladamente, na maioria, parecem adorar e até mesmo saldar a merda em que vivem. O mundo esta lotado de pessoas ou as pessoas estão aglomeradas de tal maneira que tudo isso fica normal aos olhos deles? Eu trabalho por um misero salário, que no final das contas, pago mais contas do que recebo.
‘Porra’
Ao descer do ônibus ele precisa pegar um trem, mas antes disso, atravessa um pequeno caminho.
... Dia de chuva e agora com a porcaria do tênis molhado. Os dias passam voando nesta cadeia aberta e chamada de vida. Eu preciso sair e a porta esta trancada, qualquer dia aquele maldito abrirá a porta e eu também lhe mostrarei onde realmente estamos.
‘É nele que vejo o dom e nele apontarei o dedo da consciência’
E a droga do dia acabou, existe algo diferente em mim é como se houvesse uma figura presa no espelho, sinto tonturas, dores e às vezes me sinto o que chama de Deus, de nada esta adiantando procurar um médico, e o que mais eu poderia fazer pra descobrir a minha verdadeira identidade? Estou certo de que regressar me traria o verdadeiro eu de volta, mas, fica cada vez mais difícil encontrar alguém no meio de tantas mentiras. Por fim, é melhor ir deitar, o tempo é traiçoeiro e nos engana neste circulo doentio.
Ao entrar no quarto...
‘Às vezes eu queria sumir deste buraco, deste quarto, deste lugar, mas o que me chama aqui é muito mais poderoso que minhas vontades’
Um ruído...
‘Novamente o medo desce entre meus ossos, estalando-os como se mudasse minha forma e na escuridão, não vejo mais o que eu sou’
....
Continua...
Gênesis: ... porque não deverão comer da arvore da vida!
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